Quarta hipótese: as aparições dos discípulos foram apenas alucinações

A ideia é a seguinte: Jesus nunca apareceu a ninguém, os discípulos tiveram apenas alucinações. Acontece muito, uma pessoa querida morre e depois alguém a viu aparecer dizendo que está tudo bem, para não se preocupar e etc. Especialmente Pedro teve um grande problema psicológico, se sentia culpado por ter negado Cristo e seu subconsciente criou esta alucinação para aliviar seu complexo de culpa.

Essa tese é muito popular até hoje. Porém, não explica o túmulo vazio. Os discípulos não poderiam ter roubado o corpo e se a realocação do cadáver não faz sentido, o que aconteceu então? É necessário muita imaginação para justificar este  fato.

Como explicar a origem da fé cristã? Ninguém duvida da sinceridade dos primeiros cristãos. Será mesmo que eles não perceberam que era só alucinação? O cristianismo era um sucesso enorme no mundo antigo, será que um bando de pessoas instáveis com tendência a alucinações seriam capazes de começar uma nova fé que permaneceu por 2000 anos?

A psicanálise de uma pessoa viva já não é nada simples, como analisar a mente de 500 personagens históricas? Que livro sério de psicologia ensinaria como fazer isso? Qual livro científico explicaria como tantas pessoas em lugares e situações muito diferentes possam ter a mesma alucinação?
Não existe esta situação ou casos na literatura psicológica. Este tipo de método é muito questionável, pelo menos pelo ponto de vista da psicanálise atual. Pode ser que Pedro tivesse problemas mentais e complexo de culpa, mas ele poderia contagiar centenas de outras pessoas em lugares e situações totalmente diferentes?

Essas alucinações são mesmo um fenômeno bastante comum. Com certeza aconteciam já no mundo judeu.  Mas, o que passaria pela mente de um discípulo depois de uma experiência em que Jesus apareceu numa visão ou alucinação? Muitas vezes um falecido aparece a uma pessoa amada dizendo, "não chore, estou bem!"  A pessoa vai dizer que ele "não está morto de verdade, ele segue vivendo no além!"

Isso não comprova nenhuma ressurreição, ao contrário, uma alucinação ou visão deste tipo comprova a morte terrestre do falecido. Além disso, o mundo judeu não conhecia uma ressurreição individual, os mortos iriam ressuscitar todos juntos no fim dos tempos, pelo menos os eleitos, os justos. Isso explica porque os discípulos não conseguiam entender quando Jesus dizia que iria ressuscitar. A ficha só caiu depois.

A teoria da alucinação reduz as aparições a simples experiências visuais. Mas, o que mais chama a atenção nos relatos das aparições é que são experiências muito realistas e tangíveis. Jesus prepara peixe frito e oferece aos seus amigos dizendo: "Senta aqui, quer comer uma coisa?" Se junta a dois outros, anda um tempão junto com eles, conversa e responde a suas perguntas com tanta paciência e de um jeito tão natural que apenas no final eles percebem que era. Talvez o exemplo mais claro é sua conversa com Tomás quando disse: "Pode me tocar, não sou um fantasma!"

Todos os relatos de Cristo aparecendo aos discípulos parecem com depoimentos  de testemunhas. Alucinações não são assim. Naquela época uma imagem adequada seria, por exemplo, ver Jesus no colo de Abraão ou uma ascensão gloriosa: o grande herói foi recebido no paraíso judaico, no céu dos justos e santos. Entretanto, as aparições mostram nada disso. Pelo contrário, eles relatam o comportamento típico de uma pessoa viva, comendo, bebendo e conversando.

A tese da alucinação não quer morrer, talvez porque ela combina muito bem com nosso jeito de pensar. Mas, quando você começa analisar os fatos, ela simplesmente não consegue explicar tudo que aconteceu naqueles dias e precisa de um monte de teorias adicionais. Não combina com nosso conhecimento de psicologia e não combina com que sabemos do mundo dos judeus. Chegamos à próxima hipótese.

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