A ideia é a seguinte: Jesus
nunca apareceu a ninguém, os discípulos tiveram apenas alucinações. Acontece
muito, uma pessoa querida morre e depois alguém a viu aparecer dizendo que está
tudo bem, para não se preocupar e etc. Especialmente Pedro teve um grande
problema psicológico, se sentia culpado por ter negado Cristo e seu
subconsciente criou esta alucinação para aliviar seu complexo de culpa.
Essa tese é muito popular
até hoje. Porém, não explica o túmulo vazio. Os discípulos não poderiam ter
roubado o corpo e se a realocação do cadáver não faz sentido, o que aconteceu
então? É necessário muita imaginação para justificar este fato.
Como explicar a origem da
fé cristã? Ninguém duvida da sinceridade dos primeiros cristãos. Será mesmo que
eles não perceberam que era só alucinação? O cristianismo era um sucesso enorme
no mundo antigo, será que um bando de pessoas instáveis com tendência a
alucinações seriam capazes de começar uma nova fé que permaneceu por 2000 anos?
A psicanálise de uma
pessoa viva já não é nada simples, como analisar a mente de 500 personagens
históricas? Que livro sério de psicologia ensinaria como fazer isso? Qual livro
científico explicaria como tantas pessoas em lugares e situações muito
diferentes possam ter a mesma alucinação?
Não existe esta situação
ou casos na literatura psicológica. Este tipo de método é muito questionável,
pelo menos pelo ponto de vista da psicanálise atual. Pode ser que Pedro tivesse
problemas mentais e complexo de culpa, mas ele poderia contagiar centenas de
outras pessoas em lugares e situações totalmente diferentes?
Essas alucinações são mesmo
um fenômeno bastante comum. Com certeza aconteciam já no mundo judeu. Mas, o que passaria pela mente de um
discípulo depois de uma experiência em que Jesus apareceu numa visão ou
alucinação? Muitas vezes um falecido aparece a uma pessoa amada dizendo,
"não chore, estou bem!" A
pessoa vai dizer que ele "não está morto de verdade, ele segue vivendo no
além!"
Isso não comprova nenhuma
ressurreição, ao contrário, uma alucinação ou visão deste tipo comprova a morte
terrestre do falecido. Além disso, o mundo judeu não conhecia uma ressurreição
individual, os mortos iriam ressuscitar todos juntos no fim dos tempos, pelo
menos os eleitos, os justos. Isso explica porque os discípulos não conseguiam
entender quando Jesus dizia que iria ressuscitar. A ficha só caiu depois.
A teoria da alucinação reduz
as aparições a simples experiências visuais. Mas, o que mais chama a atenção
nos relatos das aparições é que são experiências muito realistas e tangíveis.
Jesus prepara peixe frito e oferece aos seus amigos dizendo: "Senta aqui,
quer comer uma coisa?" Se junta a dois outros, anda um tempão junto com
eles, conversa e responde a suas perguntas com tanta paciência e de um jeito
tão natural que apenas no final eles percebem que era. Talvez o exemplo mais
claro é sua conversa com Tomás quando disse: "Pode me tocar, não sou um
fantasma!"
Todos os relatos de Cristo
aparecendo aos discípulos parecem com depoimentos de testemunhas. Alucinações não são assim.
Naquela época uma imagem adequada seria, por exemplo, ver Jesus no colo de
Abraão ou uma ascensão gloriosa: o grande herói foi recebido no paraíso
judaico, no céu dos justos e santos. Entretanto, as aparições mostram nada
disso. Pelo contrário, eles relatam o comportamento típico de uma pessoa viva,
comendo, bebendo e conversando.
A tese da alucinação não
quer morrer, talvez porque ela combina muito bem com nosso jeito de pensar. Mas,
quando você começa analisar os fatos, ela simplesmente não consegue explicar
tudo que aconteceu naqueles dias e precisa de um monte de teorias adicionais.
Não combina com nosso conhecimento de psicologia e não combina com que sabemos
do mundo dos judeus. Chegamos à próxima hipótese.
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