Introdução

Há 3000 anos havia um grande país, com nome de Israel. Era um pais rico e poderoso, mas, com o decorrer dos tempos, caiu em decadência. Havia textos religiosos dizendo que o país seria conquistado pela Babilônia, outros textos diziam que mais tarde os gregos e outras nações mandariam nele. Tudo isso aconteceu mesmo e no final um governador romano mandava no que sobrou daquele país, que era a Judeia.

Outros textos diziam que um dia Deus mandaria uma pessoa para restaurar o país, e um grande rei para libertar seu povo e reinar para sempre: o Messias. Muitos então emigrassem para o resto do mundo, outros foram  vendidos como escravos, mas o sonho nunca morreu. O povo  ficou firme na sua fé, esperando que se cumprisse a promessa.

Há 2000 anos apareceu Jesus Cristo que andou pelo país, pregando e chamando a atenção com aquilo que ele dizia e fazia. Uma torcida enorme acreditava que ele fosse o rei prometido para libertar seu povo. Com 33 anos de idade ele entrou com seu time na capital, Jerusalém. Centenas de pessoas o receberam como o grande libertador, esperando que agora tudo fosse mudar.

Mas os lideres religiosos, que também representavam o Supremo Tribunal Judeu, mandaram prendê-lo. Condenaram Jesus a morte por blasfêmia (ele afirmou ser o Filho de Deus). A execução da pena de morte cabia ao governador romano, então o levaram diante desse homem. A lei romana não previa execução por razões religiosas de outros povos, então os judeus o acusaram  de traição contra o governo romano. Assim Jesus foi crucificado pelas autoridades romanas.

Imagina um time de futebol no final de uma copa do mundo. De repente o jogador mais importante morre, ou fica fora por outras razões. O time fica totalmente desmoralizado. Os outros jogadores não conseguem se organizar e perdem o campeonato. Foi esta a situação do time de Jesus naqueles dias.

O grande Messias tornou-se uma grande decepção. Desanimado o time foi para casa. Mas, poucos dias depois começou um fenômeno absolutamente inédito que ninguém conseguiu mais parar por centenas de anos.  O time de Jesus e centenas de torcedores disseram ter visto Jesus ressuscitado dos mortos. O desânimo se transformou em força e criou uma dinâmica única. Em poucos anos eles percorreram o mundo conhecido e uma nova religião nasceu: o cristianismo.

Durante os 100 anos depois da crucificação do líder, seus seguidores se espalharam por todo o império romano indo até a Índia. O movimento nunca parou e ganhou milhões de seguidores no decorrer dos séculos seguintes. Os governos os perseguiram e os mataram por 300 anos, mas no final até o Imperador romano se rendeu e aceitou essa nova religião.

O que aconteceu naqueles dias depois da crucificação? O que deu esta força, esta convicção de ganhar o mundo por acreditar numa pessoa que foi executada como um criminoso? Que aconteceu com o time de Jesus? Por que a torcida não foi pra casa buscar outro ídolo? Por que eles começaram a torcer ainda mais do que antes? O que os fez preferir a própria morte em vez de se calar?

Os fatos e as teorias

Nenhum acadêmico duvida da existência de Cristo. Não há uma pessoa mais bem documentada na história antiga. É muito mais difícil comprovar que Julio Cesar ou Alexandre Magno viveram, o número de manuscritos sobre eles nem chega perto da quantidade de relatos sobre a vida de Jesus. Além disso, estes documentos são muito mais novos, não podem comparar com a abundância de pergaminhos que são muito mais antigos sobre a vida de Jesus.

Os evangelhos foram escritos no primeiro século, nas décadas logo depois da crucificação. Mesmo se o Novo Testamento nunca fosse escrito poderíamos reconstruir seus relatos através das obras dos primeiros líderes da comunidade cristã.

Mas aqui quero falar apenas sobre três fatos. A grande maioria dos acadêmicos geralmente reconhece estes três pontos.
Jesus foi crucificado pelas autoridades romanas. Depois aconteceu o seguinte: primeiro o túmulo de Jesus foi encontrado vazio. Segundo, seguidores e seguidoras dizem ter visto Jesus aparecer vivo a eles. Terceiro: logo depois disso começou um grande movimento, uma onda de seguidores que se espalhou sem medo e com grande entusiasmo pelo império romano.

Existem várias teorias que tentam explicar cada um destes três fatos. A primeira hipótese é a mais antiga: a conspiração.

Primeira hipótese: os discípulos roubaram o corpo de Jesus e fingiram ter visto ele vivo depois

Isso explica facilmente o túmulo vazio, as aparências e como eles começaram uma nova religião: tudo era mentira. Mas se eles estavam mentindo, por que eles não inventaram uma história melhor? Por que eles diziam que Cristo apareceu primeiro a uma mulher? Mulheres não tinham valor nenhum como testemunha! Por que eles não colocaram um guarda no túmulo logo no começo? Por que eles dizem que o guarda chegou apenas no dia seguinte? Os discípulos poderiam ter roubado o corpo antes.

A história é muito simples e curta para ser uma mentira, por que Jesus saiu escondidinho do túmulo e não com uma glória digna do rei dos reis que venceu a morte? E por último, de onde veio esta convicção, este zelo, esta energia incrível que fez os discípulos largar tudo, enfrentar perseguição e morte para espalhar o evangelho? Faz sentido alguém sair deste jeito arriscando sua vida e morrer para uma mentira?

Vamos pensar nas idéias da época. Os judeus esperavam um salvador majestoso no trono do grande rei Davi para governar seu país. Não um tipo de Messias que morre numa cruz como um criminoso comum. Tinham aparecido outros supostos Messias antes de Cristo. Quando um deles morreu seus seguidores foram pra casa para buscar outro. Um Messias morto ou invisível não adianta nada, igual a um craque invisível no campo de futebol que não lidera o time e não faz nenhum gol.

A crença numa ressurreição já existia, mas os judeus acreditavam claramente numa ressurreição no fim dos tempos com os justos ressuscitando todos juntos de uma vez. Não havia uma crença numa ressurreição individual, por isso os discípulos não entenderam Jesus quando ele lhes falou o que aconteceria.

Além disso, que mais temos que inventar para apoiar esta tese? Não existem evidências para os motivos dos discípulos, por que então eles fizeram isso? Como explicar que foram mulheres que acharam o túmulo vazio? Quem vai explicar como uma conspiração conseguiu incluir um número de aproximadamente 500 pessoas e ter tanto sucesso?

Hoje em dia sabemos que este tipo de conspiração não se sustenta e se desfaz em pouco tempo. Além disso, sabemos muito bem como eram as expectativas messiânicas dos judeus no primeiro século. Por último, hoje em dia ninguém duvida da sinceridade dos primeiros cristãos.

Existem explicações melhores do que essa. Por isso nenhum pesquisador sério defende essa tese, apenas alguns escritores sensacionalistas que querem postar suas fantasias na internet.

Segunda hipótese: Jesus apenas parecia morto

A ideia é que Jesus não morreu de verdade, foi enterrado vivo, se recuperou no túmulo, tirou a pedra da entrada e saiu para falar com seus discípulos.

Essa tese explica perfeitamente todos os pontos, porque o túmulo foi encontrado vazio, porque ele apareceu e também porque os discípulos acreditavam na ressurreição.

Explica tudo, mas não convence. Como pode um homem quase morto remover uma pedra pesada? Jesus estava gravemente ferido e precisaria de atendimento médico, como poderia convencer os discípulos de que ele era o grande salvador que venceu a morte? Teria convencido os discípulos de que ele não tinha morrido, mas não de que ele tinha ressuscitado gloriosamente.

Pensemos no mundo dos romanos. Seus executores eram peritos na sua arte e para ter certeza que a vítima estava morta eles até perfuravam o coração. 

A ideia de que um homem gravemente ferido e crucificado poderia sair andando de Jerusalém até Galileia é totalmente absurda.

O que mais precisa ser inventado para apoiar essa ideia? Existem muitas maquinações de sociedades secretas,  de uma aliança entre os discípulos e os líderes judeus, poções mágicas e etc. Mas, nada disso é fundamentado em evidências.

A medicina hoje não acredita que uma pessoa gravemente ferida e crucificada seria capaz de tudo isso. Inclusive não existe nenhum relato de que Jesus ficou com os discípulos logo após a sua crucificação.

Será que essa hipótese é melhor que as outras? No mundo acadêmico ninguém acha.

Mais uma vez, os únicos seguidores são aqueles escritores sensacionalistas, especialmente na internet.

A terceira hipótese: o cadáver foi realocado.

Essa teoria diz que o corpo de Jesus foi primeiro enterrado no túmulo de José de Arimateia e mais tarde transportado para o cemitério de criminosos comuns. Os discípulos não acharam o corpo e acreditavam que ele tinha sido ressuscitado.

Isso explica perfeitamente o túmulo vazio. Não explica as aparições e não explica a origem da fé dos discípulos e o fervor da sua fé que os motivou a arriscar sua vida pregando a ressurreição e a dinâmica do começo desta nova religião.

Para explicar tudo isso precisa-se de muitas outras teorias.
Se José de Arimatéia conhecia a verdade, por que ele não falou sobre isso e corrigiu o relato dos discípulos? Uma teoria diz que "sofreu de uma morte súbita" e não podia mais contar nada. E seus servos que supostamente tinham realocado o cadáver?

Os judeus costumavam identificar os túmulos e os cadáveres muito bem, mas não havia nenhuma disputa sobre a localização do corpo. A discussão não era sobre onde ficou o corpo, mas sobre o fato de que o túmulo estava vazio.

O cemitério dos criminosos ficava perto do local da crucificação e eles eram sepultados logo no dia da morte. Esse foi o objetivo de José. Podia ter sepultado Jesus logo no lugar certo em vez de usar o túmulo da sua família. O traslado de cadáveres era proibido, ao não ser no sentido contrário, para o túmulo da família.

Aparentemente José teve tempo suficiente para preparar o corpo e envolver em lençóis e ervas. Não existem evidências para os motivos de José. Para explicar porque seu túmulo foi usado se precisa inventar muitas teorias.

Esta tese está em conflito total com tudo que sabemos sobre os costumes de sepultamento de criminosos no mundo judeu. Aparentemente nenhum acadêmico apóia esta teoria.

Quarta hipótese: as aparições dos discípulos foram apenas alucinações

A ideia é a seguinte: Jesus nunca apareceu a ninguém, os discípulos tiveram apenas alucinações. Acontece muito, uma pessoa querida morre e depois alguém a viu aparecer dizendo que está tudo bem, para não se preocupar e etc. Especialmente Pedro teve um grande problema psicológico, se sentia culpado por ter negado Cristo e seu subconsciente criou esta alucinação para aliviar seu complexo de culpa.

Essa tese é muito popular até hoje. Porém, não explica o túmulo vazio. Os discípulos não poderiam ter roubado o corpo e se a realocação do cadáver não faz sentido, o que aconteceu então? É necessário muita imaginação para justificar este  fato.

Como explicar a origem da fé cristã? Ninguém duvida da sinceridade dos primeiros cristãos. Será mesmo que eles não perceberam que era só alucinação? O cristianismo era um sucesso enorme no mundo antigo, será que um bando de pessoas instáveis com tendência a alucinações seriam capazes de começar uma nova fé que permaneceu por 2000 anos?

A psicanálise de uma pessoa viva já não é nada simples, como analisar a mente de 500 personagens históricas? Que livro sério de psicologia ensinaria como fazer isso? Qual livro científico explicaria como tantas pessoas em lugares e situações muito diferentes possam ter a mesma alucinação?
Não existe esta situação ou casos na literatura psicológica. Este tipo de método é muito questionável, pelo menos pelo ponto de vista da psicanálise atual. Pode ser que Pedro tivesse problemas mentais e complexo de culpa, mas ele poderia contagiar centenas de outras pessoas em lugares e situações totalmente diferentes?

Essas alucinações são mesmo um fenômeno bastante comum. Com certeza aconteciam já no mundo judeu.  Mas, o que passaria pela mente de um discípulo depois de uma experiência em que Jesus apareceu numa visão ou alucinação? Muitas vezes um falecido aparece a uma pessoa amada dizendo, "não chore, estou bem!"  A pessoa vai dizer que ele "não está morto de verdade, ele segue vivendo no além!"

Isso não comprova nenhuma ressurreição, ao contrário, uma alucinação ou visão deste tipo comprova a morte terrestre do falecido. Além disso, o mundo judeu não conhecia uma ressurreição individual, os mortos iriam ressuscitar todos juntos no fim dos tempos, pelo menos os eleitos, os justos. Isso explica porque os discípulos não conseguiam entender quando Jesus dizia que iria ressuscitar. A ficha só caiu depois.

A teoria da alucinação reduz as aparições a simples experiências visuais. Mas, o que mais chama a atenção nos relatos das aparições é que são experiências muito realistas e tangíveis. Jesus prepara peixe frito e oferece aos seus amigos dizendo: "Senta aqui, quer comer uma coisa?" Se junta a dois outros, anda um tempão junto com eles, conversa e responde a suas perguntas com tanta paciência e de um jeito tão natural que apenas no final eles percebem que era. Talvez o exemplo mais claro é sua conversa com Tomás quando disse: "Pode me tocar, não sou um fantasma!"

Todos os relatos de Cristo aparecendo aos discípulos parecem com depoimentos  de testemunhas. Alucinações não são assim. Naquela época uma imagem adequada seria, por exemplo, ver Jesus no colo de Abraão ou uma ascensão gloriosa: o grande herói foi recebido no paraíso judaico, no céu dos justos e santos. Entretanto, as aparições mostram nada disso. Pelo contrário, eles relatam o comportamento típico de uma pessoa viva, comendo, bebendo e conversando.

A tese da alucinação não quer morrer, talvez porque ela combina muito bem com nosso jeito de pensar. Mas, quando você começa analisar os fatos, ela simplesmente não consegue explicar tudo que aconteceu naqueles dias e precisa de um monte de teorias adicionais. Não combina com nosso conhecimento de psicologia e não combina com que sabemos do mundo dos judeus. Chegamos à próxima hipótese.

Última hipótese: a ressurreição de Cristo

Essa tese diz que Jesus foi crucificado, sepultado, ressuscitou e apareceu aos seus seguidores por um tempo. Os discípulos ficavam totalmente convencidos de que Jesus era mesmo o prometido Messias. O que aconteceu provocou um movimento enorme de seguidores que não paravam de testemunhar isso, mesmo sendo perseguidos e massacrados.

Esta hipótese explica tudo: o túmulo vazio, as aparições e o começo do cristianismo.

Fica lógico porque o túmulo estava vazio e porque Cristo apareceu a centenas de pessoas. Não apenas aos seus seguidores masculinos, mas também a mulheres como Maria Madalena e até inimigos, e isso em vários lugares em circunstâncias e maneiras totalmente diferentes.

Explica perfeitamente de onde veio este fervor dos apóstolos, porque eles não tinham o mínimo medo de desafiar as autoridades religiosas e o governo e arriscavam sua vida para defender sua fé. Explica como eles conseguiam convencer tantos judeus que Jesus era a pessoa prometida nas sagradas escrituras deste povo.

Essa explicação é a única que bate totalmente com o pensamento da época e combina totalmente com o mundo judeu. Quando pensamos em tudo que Ele disse e fez, a ressurreição é simplesmente a cara de Jesus. Parece lógico que isso tinha que acontecer. Por isso os discípulos não tinham a mínima dúvida de que ele não tinha apenas ressuscitado, mas também, que ele era mesmo o Messias.

Claro que nossa experiência no ensina que os mortos normalmente não ressuscitam, mas isso não comprova que não pode ter acontecido uma vez. Por exemplo, sabemos que tudo cai no chão por causa da gravidade, mas também sabemos que existem buracos negros no universo onde as coisas fogem a esta regra.

Essa tese não precisa inventar mais nada para explicar tudo que aconteceu. Pelo contrário, quanto mais você pesquisa, mais ela convence. Se algo faltaria para aperfeiçoar toda esta história, seria um Deus. No mundo antigo a crença na existência de Deus era algo totalmente normal e até hoje isso não é nada novo para muitos, portanto para estas pessoas não existe uma explicação melhor.

Então, quem não tem esta certeza, mas quer entender tudo que aconteceu ou talvez esteja procurando por um sentido nesta vida, por favor, não descarte esta hipótese. Ela pode parecer muito estranha, mas, é a única que faz sentido.